Eu estou aqui
E eu estou aqui
Eu estou aqui
Eu estou aqui
Eu estou aqui
Chiiiiuu!!!!!
A Desordem
Para ler a crónica de MRP ir aqui, fazer o download de 24/10/05 e ver a página 7!
Ainda no mundo da advocacia, o mais promissor advogado do país foi promovido a Sócio de Indústria no seu escritório, o que me deixa a pensar. Se um gajo passa a Sócio de Indústria tem de começar a trabalhar nas fábricas, ter uma palavra a dizer nas reuniões da Direcção Geral da Indústria ou defender com unhas e dentes o Instituto da Soldadura e Qualidade? Um tipo estuda 5 anos na faculdade, aguenta mais dois para poder ser Advogado, e depois vai arranjar betoneiras, montar carretos de alumínio, soldar juntas ou até desenvolver um protótipo de uma máquina industrial que permita fazer o corte e soldadura por laser de películas sobrepostas de plásticos a alta velocidade. Acho mal!
Nota: o Egipto encontra-se a Sul da Grécia sendo separado apenas pelo Mar Mediterrâneo, como se sabe, excelente condutor de gripes.
O IgNobel da Paz foi entregue a Claire Rind e Peter Simmons, da Newcastle University, Reino Unido, por monitorarem a actividade eléctrica nos neurónios dos gafanhotos enquanto assistiam a trailers seleccionadas do filme "Guerra das Estrelas" (os gafanhotos, claro, não os cientistas).
O IgNobel da Economia foi directamente para Gauri Nanda, do MIT, por inventar um despertador que não só foge como se esconde, para garantir que o dono vai mesmo sair da cama. Sem dúvida, o Governo deveria distribui-los, promovendo e amparando a nossa produtividade.
O IgNobel da Nutrição vai para o Japão. Yoshiro Nakamats fotografou e analisou todas as refeições que consumiu nos últimos 34 anos. Parece que ainda não está contente, por isso continua a fotografar e a analisar a sua paparoca diariamente.
----------------------------------------------------------------------------------
Actualização:
Como esta temática colocou algumas dúvidas resolvi "fazer" serviço público de alto gabarito. Aqui vai a Lista dos Vencedores desde 1991 e a página do Ig® Nobel Prize.
É a vida!
Deparamo-nos então com um dilema de busílis colorido: Cima ou Baixo? Oeste!
Segundos depois respondia uma voz langanhosa e eu disse o que queria:
-Parece que me pode ajudar a combinar uma hora de boa conversa - disse.
-Claro querido. Qual era a tua ideia?
-Gostava de discutir sobre o Mantorras.
-Dissertar sobre o joelho ou especular sobre a idade?
-Qual é a diferença?
-O preço! O joelho implica conhecimento de medicina.
-Quanto é que isso me custa?
-100 € para o joelho. Quer uma discussão comparativa... Pedro Mantorras versus Marco Van Basten? Podia arranjar-se isso por 100.
-Ok!
-Prefere loira ou morena?
-Surpreenda-me - disse eu e desliguei.
Vesti o fato de treino, a peúga turca branca com a raquete de téni, o sapatucho de verniz e limpei a cera dos ouvidos com a unha (postiça) do mindinho. Depois consultei na internet tudo o que estava disponível sobre as lesões de Mantorras e Van Basten. Menos de uma hora depois batiam à minha porta. À minha frente estava uma jovem ruiva, de fato de treino do Fafe, com uns ténis com cerca de 15 anos da LA Gear. Nas mãos trazia duas sandes de coirato e duas minis.
-Olá, sou a Ticha.
Sabiam mesmo excitar-nos a fantasia. Rabo-de-cavalo a sair de um boné da Selecção Nacional, bolsa à cintura, almofadinha para não magoar o rabiosque.
-Começamos? - disse eu. Ela acendeu um cigarro e pôs-se ao assunto.
-Acho que poderíamos começar por falar na primeira operação do Mantorras. No fundo dissecar as opções do departamento médico do Benfica e a consequente dispensa do médico Bernardo Vasconcelos, sabendo que uma coisa está ligada à outra.
-Mas o Mantorras já tinha os joelhos fracos, assim como o tornozelo do Van Basten. Não podemos imputar todas as culpas aos departamentos médicos. - Eu estava a fazer bluff. A ver se ela caía.
-Sim, o médico seguinte também fez asneira. Além disso, os dois jogadores tiveram imensos problemas anteriormente, o que demonstra a fraca fiabilidade intrínseca dos atletas. - Caiu.
-Exactamente.
-Acho que os carniceiros desses médicos pioraram a situação de dois jogadores já de si carunchosos. Não concorda?
Deixei-a continuar. Nem devia ter 19 anos, mas já tinha o calo da ida aos estádios e da luta entre claques. Mas era tudo mecânico. Sempre que eu lhe dava uma ideia, ela fingia uma reacção.
-Sim, de facto o Cugat disse que ele nunca mais seria o mesmo. Essa é básica... como é que não me passou tal coisa pela cabeça?
Falámos cerca de uma hora e ela disse que estava na hora. Levantou-se e eu dei-lhe nota 20 (qual Marcelo).
-Obrigada, querido.
-Podes ter muito mais.
-Que queres dizer? - sentou-se outra vez.
-Faz de conta que queria duas raparigas a explicar-me a táctica de jogo do Mourinho nos jogos da época passada.
-Oh, uau!
-Mas se não quiseres...
-Terias que falar com a Dona Paula. E ficava-te caro!
Era altura de apertar com ela. Mostrei-lhe o crachá de detective e disse-lhe que ia de cana.
-Quê?
-Discutir futebol por dinheiro dá uma estadia grátis na Penitenciária mais próxima! Vais cumprir pena!
-Miserável!
-É melhor confessares! - Pôs-se a chorar.
continua...
E lá veio o chorrilho todo - a história completa. Criada em Benfica, campos de férias em escolas de futebol, pai fanático do Fófó. É a típica miúda que não brincou com Barbies mas sim com uma bola Nike.
-Precisava do dinheiro. Uma amiga minha disse que conhecia um tipo que gostava de falar de futebol com a mulher mas não o podia fazer. Ele estava numa de Selecção! E eu disse, se ele pagar, falo da Selecção com ele. No princípio estava nervosa. Fingi uma data de coisas. Ele não se importou. A minha amiga disse que havia outros. Já fui presa antes. Fui apanhada a comentar a conquista da Liga dos Campeões pelo Porto, num banco de trás dum carro estacionado, e doutra vez fui detida e revistada no Colombo, depois dum jogo do Benfica. Mais uma e sou três vezes desgraçada.
-Então leve-me à Dona Paula. - Ela mordeu o lábio.
-O cabeleireiro do Beauté é uma fachada.
-É?
-Como aqueles compradores de iates que vão para presidente do Benfica como fachada. Vai ver. - Fiz uma chamada rápida para a sede e depois disse-lhe:
-Tudo bem, está safa. Mas fique por estas bandas.
-Posso arranjar fotografias do Pacheco Pereira a ver e a comentar um Guimarães x Braga - disse.
-Fica para a próxima.
Entrei no cabeleireiro do Beauté. A assistente veio ter comigo.
-Posso ajudar? - disse.
-Ando à procura de quem me possa fazer o corte de cabelo do Abel Xavier. Queria saber se é possível?
-Vou ver.
-Foi a Ticha que me mandou - disse eu.
-Ah, nesse caso passe lá para trás - disse. Carregou num botão. Abriu-se uma porta atrás de um secador de cabelo e eu entrei como um cordeirinho nesse trepidante palácio do prazer conhecido como Paula's.
Posters da Selecção Nacional e dos melhores jogadores da actualidade preenchiam as paredes, todo o décor cheirava a futebol. Raparigas pálidas e nervosas, de fato-de-treino e boné esparramavam-se indolentes em sofás, visionando jogos de futebol na TV ou folheando edições antigas de Cadernos A Bola, provocantes. Uma loira com um grande sorriso piscou-me o olho, indicando, num aceno de cabeça, um quarto no andar de cima e disse:
-Fanático de estilos arrojados, hein?
Mas não eram só experiências intelectuais - também ofereciam experiências emocionais. Disseram-me que por 150 € se podia ter uma relação sem intimidade. Por 300 €, a rapariga emprestava-me cassetes do Campeonato do Mundo México 86, jantar, e depois deixavam-nos ficar a vê-la ter uma crise de angústia enquanto a sua equipa (qualquer que fosse) perdia num qualquer jogo. Por 400 € podia-se ouvir um relato da bola com gémeas. Por 500 €, tinha-se o trabalho completo. Uma brasileira magrinha e morena fingia ir buscar-nos ao Colombo, víamos juntos um jogo do Benfica, discutia violentamente, em pleno estádio, as opções tácticas do treinador, insinuando que a mãe do árbitro exercia a sua profissão pela calada da noite, a céu aberto, e depois fingia rasgar o cartão de sócia do SLB (em caso de derrota) - o serão perfeito para alguns. Bela negociata. Grande cidade, Lisboa.
-Gostas do que vês? - disse uma voz atrás de mim.
Virei-me e de repente dei de caras com um verylight apontado à minha cabeça. Tenho o estômago forte, mas desta vez deu uma volta e tanto. Era mesmo a Paula. A voz era igual, mas Paula era um homem. Tinha a cara escondida por uma máscara.
-Não vais acreditar - disse ele - sou do Fafe. No entanto, nem gosto de futebol por aí além.
-É por isso que usas máscara?
-Engendrei um plano complicado para assumir o controlo da Federação Portuguesa de Futebol, mas para isso tinha de me fazer passar por Gilberto Madail. Fui a Badajoz fazer uma operação. Há um médico que dá às pessoas feições de jogadores e dirigentes desportivos - e isso tem um preço. E correu mal. Saí de lá parecido com o Miguel com a voz do Ricardo. Foi quando comecei a trabalhar à margem da lei.
Muito depressa, antes que ele pudesse lançar o engenho pirotécnico, entrei em acção. Lançando-me para a frente, dei-lhe uma cotovelada na maçã de Adão e agarrei o verylight. Tombou por terra como um saco de tubérculos. Ainda estava a choramingar quando a polícia chegou.
-Bom trabalho, Inspector Ventoinha - disse o comandante Piruças. - Quando despacharmos este tipo, a PJ quer ter uma conversa com ele. Uma coisita que mete uns jogadores amadores e umas cassetes dos Donos da Bola. Levem-no rapazes.
Mais tarde, nessa noite, procurei uma antiga cliente minha chamada Tolentina. Era maori. Tinha-se formado com distinção. A diferença é que se tinha formado em Literatura Estrangeira, com Mestrado em Literatura Subsaariana. Soube-me bem!
FIM