Vídeos com alguma facécia

Agora é possível desfrutar de alguns vídeos relacionados com os textos. Para isso basta carregar no título do post. O título é aquela coisa a Negrito, com umas letras maiores, e que antecede as profícuas palavras deste blog. Advertência: Caros leitores, estão completamente proibidos de ver os vídeos antes de lerem as barbaridades escritas, correndo o risco de serem atingidos por uma comichão deveras desagradável na zona da púbis, seguido de pé-chato nas mãos e escorbuto nos tornozelos.

Friday, July 15, 2005

Está calor em Madrid!

(num qualquer local onde se esteja à espera de alguma coisa; por exemplo: numa pecuária, na sede do ICAM, na vistoria da arrecadação, etc)

-Desculpe, estou a incomodar?

-Não, não. Diga!

-Sabe, ouvi dizer que amanhã, Madrid terá 42 graus, já viu? Em Lisboa, apenas 28. Para nós é bom, mas os espanhóis vão assar! Eu também já passei por muito calor. Vivia em casa de um casal amigo, sabe?

-Sim, sim!

-Pessoas impecáveis! O marido era funcionário dos Correios. Os Correios nessa altura tinham outro estatuto. Era uma boa casa. Era uma jóia de homem! Tratava muito bem a minha amiga. Eu conheci-a aos 9 anos. Quer dizer, eu tinha 9, ela tinha 12. Era um pouco mais velha e eu admirava-a porque podia fazer coisas que eu ainda não podia, tipo malha. A partir daí foi uma amizade até hoje. Mas hoje, mal nos vemos. Vicissitudes de viver numa cidade grande. Mas o que eu gostei de morar com eles... Nem imagina. A minha amiga fazia renda durante a tarde. Eu, por outro lado, nunca tive muito jeito de mãos. Sempre bati contra tudo: móveis, portas... Mas para compensar tinha tanto jeito para escrever... Muito escrevia eu! Era em tudo o que pudesse: guardanapos, papel para embrulhar as compras, aquele castanho, sabe qual é?

-Claro.

- Hoje, já praticamente não se vê desse papel. Eu fazia fatos de Carnaval com esse papel. E que fatos! Ganhei 3 concursos de melhor máscara. Uma das vezes fui de Cleópatra. Estava maravilhosa. Inspirei-me na Elisabeth Taylor. Adorava os filmes dela. A propósito, e a amizade dela com o cinzento, já viu?

-Hã?

-Com o preto-branco! O Michael Jackson! Que pouca vergonha... Eu não sei se ele abusou das criancinhas, mas que não é bom da cabeça, não é! Ele tem ar de drógado. Na volta drunfa-se e nós para aqui a achar que não! Drogas não, mas os meus comprimidos já ninguém me pode tirar. Não vivo sem eles! Veja lá, no outro dia fui ao médico, o Dr. Teutibério Parcimónia, boa pessoa (é primo de um amigo do meu marido). O Dr. escolheu medicina para ajudar os outros, mas além disso sempre foi um exímio jogador de carica. Foi campeão quando era novo. A relação é através desse amigo do meu marido. É engenheiro, salvo erro. Agora de quê, é que eu não me lembro. Será de máquinas? Não interessa. O homem também sempre foi estúpido. E todos os dias! Sempre com umas trombas. E com um primo tão simpático, já viu? E peneirento. Uii! Até a andar é peneirento! Parece que lhe enfiaram um cabo de vassoura pelo... Mas isto vinha a propósito de outra conversa. Qualquer coisa de Madrid, não era?

-Pois... hrum... já não me lembro. Não me lembro mesmo. Boa tarde. É que não me lembro mesmo, desculpe. Prazer conhecê-la!

2 comments:

ximi said...

ta xelente! num piqueno texto mostra como são as conversas das senhoras e não só, há cavalheiros também assim, dos nossos tempos, embrulham-se de tal forma nas conversas, que vai lá vai, até a barraca abana!!!!

Cat said...

Este pequeno texto fez-me recordar um maravilhoso episodio que tive com uma senhora. Apanhei o autocarro para a costa alentejana e numa das paragens entrou uma "simpatica" senhora, que fez o favor de me manter acordada durante as longas 4h de viagem que se sucederam....Bem, isto tudo para te dar os parabéns pelo pequeno texto tão ilucidativo do quanto pode se "aprender" numa simples paragem de autocarro, por exemplo.
Beijocas