Vídeos com alguma facécia

Agora é possível desfrutar de alguns vídeos relacionados com os textos. Para isso basta carregar no título do post. O título é aquela coisa a Negrito, com umas letras maiores, e que antecede as profícuas palavras deste blog. Advertência: Caros leitores, estão completamente proibidos de ver os vídeos antes de lerem as barbaridades escritas, correndo o risco de serem atingidos por uma comichão deveras desagradável na zona da púbis, seguido de pé-chato nas mãos e escorbuto nos tornozelos.

Friday, December 09, 2005

A Entrevista Possível com… Nulo

O Nulo é mais que um zero!

De longe, o candidato mais idoso. Perde-se nos anais da história o primeiro voto Nulo. Diz-se olvidado e marginalizado nas sondagens e pela comunicação social. Insurge-se e não percebe como é que alguém, que consistentemente vem numa dinâmica de crescendo nos resultados ao longo do tempo, é ostracizado, até pela opinião pública. Nunca ouvi ninguém dizer que iria votar Nulo; mas a verdade é que depois aparecem nos resultados – desabafa desgostoso. Crê que os media, propositadamente, o vetam. Marcou presença em todas as eleições disputadas, descortinando-se um certo pundonor quando o refere. Como ex-libris da sua história refere o voto nulo de Cid, que caricaturou todos os candidatos no verso do boletim. É uma honra, declara. Não gosta de bolo-rei, mas adora um harmonioso graffiti abstracto, especialmente no muro de um qualquer condomínio privado.


-O que o levou a candidatar-se?

O mesmo de sempre. Protagonismo. Gosto que se fale em mim. Mas fico sempre desiludido. Os portugueses não são muito gatafunheiros. Num jornal ou numa revista são homens (ou mulheres) para fazer uns cornitos, um bigodito ou até uma barbicha numa fotografia; chegados ao boletim de voto a coisa pia mais fino, acabrunham-se. O português gosta mais de riscar portas de casa de banho.


-Caso vença, pondera fazer uso da Bomba Atómica (dissolver a A.R.) caso tenha uma espongivite, magipose ou gases, e o Primeiro-Ministro não faça tensão de o ajudar?

Felizmente sou um candidato abstracto, logo não espero ser assolado por tamanhas patologias. Mas, caso me depare com uma situação semelhante, não encontro razões para usar a Bomba Atómica. Na pior das hipóteses, vejo-me a enviar um projecto-lei garatujado com dizeres ordinários ao Tribunal Constitucional. Mais que isso não me estou a ver fazer. Talvez riscar o carro oficial do Primeiro-Ministro? Não sei, a sério que não sei.


-Em que medida se sente apoiado por um partido, um inteiro ou outra coisa qualquer?

Nesse aspecto tenho de agradecer a todos os candidatos. Nenhum deles é especialmente bonito, logo, custa menos rabiscar a sua foto. Não são propriamente os partidos os meus apoiantes. Já dos inteiros não posso dizer o mesmo. Mas digo. As eleições presidenciais são sempre uma eleição à parte. Enquanto nas outras é o símbolo do partido que aparece no boletim de voto, nestas estamos perante fotos de candidatos. Há até quem diga que é o único momento em que os políticos dão a cara. Assim sendo, cresce a vontade por rabiscar narizes ou ornamentar umas testas. A minha base de apoio encontra-se na fealdade dos candidatos. Não é de desprezar o apoio sentido pelos artistas metafísicos e absortos, embora se amedrontem um pouco na hora de anular o voto.

-Caso tenha poderes para tal, pondera vender a Madeira? E os Açores? E o Continente?

A Madeira nunca. A madeira serve para fazer lápis. Os lápis são os elementos que permitem a iniciação ao rabisco. As crianças começam a escrever com lápis. Os Açores com toda a certeza. O açor é um pássaro e como tal caga as árvores todas, desculpe a linguagem. Cagando as árvores, diminui a qualidade da madeira que irá fornecer os lápis ao garatujeiros deste Portugal. Mas para ter uma posição oficial, pergunte isso ao meu Mandatário para o Desenho Figurativo, se fizer favor. Já o Continente está fora de hipótese. O Continente vende todo tipo de elementos que permite o gatafunhar e a preços bastante em conta. Além disso o Belmiro tem uma cara bastante rabiscável, o que não posso de forma nenhuma desprezar. Não pode ser nada. Desculpe.

-Coloca a hipótese de o poder lhe subir à cabeça (ou a outros locais à sua escolha)?

Como já referi anteriormente, sou um candidato abstracto, logo não tenho cabeça. Diga-se de passagem, acreditar que, o facto de não ter cabeça (e por consequência, não pensar) pode ser um elemento a meu favor relativamente aos outros candidatos. De qualquer forma o poder nunca poderia alterar a minha personalidade. Desde muito novo que sempre fui muito nulo. A minha mãe até dizia: Nulo, vê lá se não te tornas no elemento neutro da soma e absorvente da multiplicação, à esquerda, hã!! Como deve saber a minha mãe falava do zero. Sempre fui assim! Não é um cargo desses que me vai fazer abusar. Quer dizer, uma Mont Blanc sempre é uma caneta diferente, mas mesmo assim...


-Já conhecia o Profi Trolls?

Já! É bastante apreciável. Gosto muito da forma como escrevem. Gosto especialmente da nulidade da escrita demonstrada por parte de alguns elementos. Alguns? Eu disse alguns? Oh que disparate, desculpe. Por todos, como é óbvio. Detesto segregacionistas e estava a comportar-me como tal. Têm todos uma nulidade na escrita bastante apreciável.

Foi a Entrevista Possível. Obrigado!

1 comment:

JMP said...

Ui! Uma alfinetada!