Vídeos com alguma facécia

Agora é possível desfrutar de alguns vídeos relacionados com os textos. Para isso basta carregar no título do post. O título é aquela coisa a Negrito, com umas letras maiores, e que antecede as profícuas palavras deste blog. Advertência: Caros leitores, estão completamente proibidos de ver os vídeos antes de lerem as barbaridades escritas, correndo o risco de serem atingidos por uma comichão deveras desagradável na zona da púbis, seguido de pé-chato nas mãos e escorbuto nos tornozelos.

Monday, December 27, 2004

A Metáfora

No jantar de Natal do PSD (sim, aquele que implicou ofícios internos aos almeidas da CML, entre outros...) e sem nunca dispensar as mais belas metáforas políticas que o caracterizaram nestes 4 meses de governação (brevemente disponíveis numa obra em 3 volumes, prefaciada, como não poderia deixar de ser, por Luis Delgado), Santana Lopes comparou o executivo que liderou com «uma ambulância» que transportou «o país doente em consequência da governação socialista».

O que é certo é que esta é uma análise política e sociológica perfeita.

Senão vejamos esta pequena peça da nossa autoria:

Acto I
personagens:
país doente
alguém que pede por socorro
operador do 112

país doente
- Raisparta, estou mesmo doente! (arrasta-se andrajosamente) Será que existe algum senhor ou senhora que tenha a bondade ou a possibilidade de me auxiliar??

alguém que pede por socorro
- Oh criatura, que estado é o seu... Espere que eu uso o meu telemóvel topo de gama e ligo para os Bombeiros, o INEM, a Protecção Civil, o Serviço de Protecção a Incêndios Florestais (estes últimos à cautela, claro...) liga do telemóvel

operador do 112
- 112, bom dia! Em que posso ajudar?

alguém que pede por socorro
- Tenho aqui um doente em estado grave. Penso que seja o nosso país... Podem vir buscá-lo?

operador do 112
- O nosso país? Concerteza! Então o estado dele não é, certamente, grave: é gravíssimo!! Vou já mandar o nosso melhor técnico, o José Manuel. desliga o telefone

Acto II
personagens:
país doente
José Manuel


país doente
- Definho... Disseram que me mandavam alguém... (contorce-se)

(interregno de 2 anos; não existe qualquer contacto entre as personagens)

José Manuel (dá dois passos para dentro do palco)
- Bem, acho que o que está a dar na área do socorrismo público é Bruxelas. Penso que não deixei nada a meio por estas bandas... Quer dizer, como fiz rigorosamente nada, também é impossível ter deixado algo a meio. Enfim... sai do palco pelo fundo

Acto III
personagens:
país doente
ambulância
Santana Lopes

país doente
- Definho... Disseram que me mandavam alguém...

Santana Lopes (a conduzir a ambulância)
- Ah, que bem que se está nesta noite lisboeta! Luís, tens sorte por eu estar aqui para te conduzir a ambulância, que nesse estado nem te aguentas em pé... Pessoal, vamos à Merendeira? passa a mão pelo cabelo cheio de brilhantina

ambulância
- Epá, ainda apanhávamos era a fábrica de bolos ali da Praça do Chile, ou não?

Santana Lopes (pára a ambulância ao ver um corpo inerte no chão, à sua frente)
- Olá, o que é que temos aqui? Que abandono... Ó amigo, para que lado é que se come qualquer coisa a estas horas?

país doente (levanta o tronco do chão, ao ver a ambulância parada à suua frente)
- Uma ambulância... Finalmente... Levam-me para o Hospital?

Santana Lopes
- Para a Kapital? Epá, viemos de lá agora... Mas entra, que ainda há espaço para mais um. Ficas é a saber que vais no chão. Nós já cá estávamos. arranca

Acto IV
personagens:
país doente
ambulância
Santana Lopes


(passam-se 4 meses)

país doente (com um esgar de dor profundo)
- Mas então andamos aqui às voltas, sem destino?

ambulância
- Epá, tou seca a paus...

(ambulância fica sem gasóleo)

Santana Lopes
- Portuguesas e Portugueses...


FIM
(bem, o fim é mesmo só em Fevereiro/Março próximo; mas a palavra fica bem aqui, não fica?)

1 comment:

JMP said...

Muito muito bom. Sai uma mine para o menino!